Aquecimento global (riscos extremos)

Traduzido de: https://80000hours.org/problem-profiles/climate-change/

Por Roman Duda · Publicado 14 de abril de 2016

Resumo

De acordo com as estimativas atuais, as emissões de gases de efeito estufa, caso não sejam mitigadas, provavelmente levarão a aumentos da temperatura global de 2,6ºC a 4,8ºC até 2100. Se isso acontecer, provavelmente ocorrerão males humanitários significativos, incluindo condições meteorológicas mais severas, crises alimentares e disseminação de doenças infecciosas que afetariam desproporcionalmente as pessoas em piores condições.

Mas há uma chance não desprezível de que emissões não mitigadas levem a aumentos ainda maiores nas temperaturas globais, cujos resultados poderiam ser catastróficos para a vida na Terra. Embora a chance de grandes aumentos seja relativamente baixa, o grau de dano que resultaria é muito alto, o que significa que o valor esperado de trabalhar para reduzir esses riscos extremos também pode ser muito alto.

É mais provável que você pense que a mudança climática extrema está entre os problemas globais mais urgentes se você acha que temos deveres com pessoas que ainda não existem e que há grande valor em garantir que a civilização humana continue a longo prazo.

As opções para trabalhar este problema incluem pesquisas acadêmicas sobre os riscos extremos das mudanças climáticas ou se elas podem ser mitigadas pela geoengenharia. Pode-se também advogar pela redução das emissões de gases do efeito estufa através de carreiras na política, centros de pesquisas (think-tanks) ou jornalismo, e trabalhar no desenvolvimento de tecnologias de emissões mais baixas como um engenheiro ou cientista.

Nossa visão geral

Às vezes recomendado
Esse é um problema urgente para se trabalhar, mas você pode ter um impacto ainda maior trabalhando em outra coisa.

Escala ?
Mudanças climáticas extremas podem ter consequências catastróficas para a civilização humana.
Veja também a ‘Explicação de como classificamos esse problema abaixo. 1  
Negligência ?
Os recursos dedicados a prevenir mudanças climáticas globalmente, incluindo dentro e fora de todos os governos, são provavelmente de US$100 bilhões a 1 trilhão por ano. No entanto, consideramos o valor efetivo como sendo US$ 10-100 bilhões por ano, porque grande parte desse gasto i) teria acontecido por outras razões, ii) não está focado nos riscos extremos da mudança climática, ou iii) está mal alocado. 2  
Capacidade de Resolução ?

A coordenação é difícil devido ao parasitismo (free-rider problem). No entanto, algumas opções, como eficiência, são diretas.  
Profundidade do perfil: Exploratório 
Autor do perfil: Roman Duda

Ultima atualização: 14 de abril de 2016

Este é um dos muitos perfis que escrevemos para ajudar as pessoas a encontrar os problemas mais urgentes que podem resolver com suas carreiras. Saiba mais sobre como comparamos diferentes problemas, veja como tentamos classificá-los numericamente e ver como esse problema se compara aos outros que consideramos até agora.

O que é esse problema e o quanto isso importa?

Em que nossa análise é baseada?

Baseamos-nos principalmente nos relatórios do Open Philanthropy Project sobre mudanças climáticas antropogênicas , riscos extremos da mudança climática e pesquisa em geoengenharia .

O que é este problema e quais são os argumentos para trabalhar nele?

De acordo com as estimativas atuais, as emissões de gases causadores do efeito estufa, caso não sejam mitigadas, provavelmente levarão ao aumento da temperatura global de 2,6ºC a 4,8ºC até 2100. 3 Se isso acontecer, provavelmente ocorrerão males humanitários significativos, incluindo clima mais severo, crises alimentares e disseminação de doenças infecciosas que afetariam desproporcionalmente as pessoas em piores condições. 4

Mas também há uma chance não negligenciável – talvez em torno de 10% – de que as emissões não mitigadas levem a aumentos da temperatura global ainda maiores que 4,8ºC. 5 De maneira mais geral, as estimativas de aumento de temperatura resultante das emissões de gases de efeito estufa têm uma cauda direita “gorda”, o que significa que há uma chance baixa, mas não desprezível, de aumentos muito elevados de temperatura:

Fonte da imagem .

Piorando a situação, os danos esperados das mudanças de temperatura pioram a cada aumento de temperatura – espera-se que um aumento de 3ºC a 4ºC seja significativamente pior do que de 1ºC a 2ºC. Se os ganhos de temperatura excederem 4,8ºC, isso provavelmente teria consequências catastróficas. Leia mais sobre.

Em suma, parece haver uma probabilidade desconfortável – pequena, mas não negligenciável – de resultados extremamente ruins resultantes de emissões não mitigadas de efeito estufa. Chamamos esses perigos de os riscos extremos da mudança climática.

Argumentos para trabalhar neste problema

  • Embora a chance de resultados catastróficos seja relativamente baixa, o dano resultante de grandes aumentos de temperatura é muito alto, o que significa que o valor esperado de trabalhar com esse problema também pode ser muito alto.
  • Embora a mudança climática como um todo receba muita atenção, apenas uma pequena parte se concentra na pesquisa sobre a probabilidade dos riscos extremos da mudança climática, e na pesquisa da viabilidade, prováveis efeitos colaterais e riscos da geoengenharia (intervenções em larga escala no sistema climático da Terra, com o objectivo de limitar as alterações climáticas). 6

Quais são os principais argumentos contra o trabalho?

  • Área Saturada – A mudança climática como um todo já recebe muita atenção e financiamento. O governo dos EUA gasta cerca de US$ 8 bilhões por ano em esforços diretos contra a mudança climática 7 e mais em regulamentações destinadas a limitar as emissões de carbono. O Reino Unido gasta cerca de 1 bilhão de libras por ano em projetos para combater a mudança climática em países em desenvolvimento 8 e várias centenas de milhões de dólares são gastos a cada ano por fundações. 9 Além disso, muitas empresas e universidades em todo o mundo trabalham em pesquisas gerais sobre mudança climática ou tecnologias destinadas a reduzir as emissões. A Climate Policy Initiative (Iniciativa de Política Climática) contou quase US$ 400 bilhões em gastos relacionados a mudanças climáticas em 2015. Embora apenas uma pequena parte desse esforço se concentre nos riscos extremos da mudança climática, as reduções nas emissões de gases causadores do efeito estufa reduzem desproporcionalmente o risco de aumentos extremos de temperatura. Portanto, a maior parte do financiamento existente direcionado às mudanças climáticas está indo para uma estratégia bastante razoável para trabalhar os riscos extremos da mudança climática e você pode pensar que esse problema já está recebendo muitos recursos. 10
  • Difícil de progredir – A mitigação da mudança climática é especialmente difícil porque muitos dos custos das emissões de gases do efeito estufa são suportados por outros países e pelas gerações futuras. A dimensão internacional cria um problema de parasitismo entre os países – é do interesse de cada país suportar menos os custos da mitigação das mudanças climáticas, o que dificulta a coordenação internacional acerca de iniciativas comuns. A dimensão intergeracional talvez seja ainda mais problemática – as piores conseqüências das mudanças climáticas são remotas, décadas ou séculos no futuro, deixando pouco incentivo para agirmos agora para evitar esses efeitos distantes. Dadas essas dificuldades, você pode esperar que os esforços para reduzir as mudanças climáticas tenham pouco retorno. Coerente com isso, muitos países não conseguiram cumprir seus compromissos declarados de reduzir as emissões de carbono. 11

Principais julgamentos que você precisa fazer

É mais provável que você pense que esse é um dos problemas globais mais preocupantes, se:

  • Você acha que temos obrigações com pessoas que ainda não existem (além das pessoas que existem atualmente).
  • Você acha que há grande valor em garantir que a civilização humana continue a longo prazo.
  • Você acha que há grande valor em preservar os ecossistemas e a biodiversidade da Terra.
  • Você se sente à vontade para buscar métodos de alto risco, porém com potencial para alto retorno em impacto positivo no mundo; como organização de campanhas de conscientização e “pressão social”; lobbying de governos e pesquisa especulativa.
  • Você está confortável em trabalhar com problemas altamente incertos – onde você está reduzindo a chance de resultados muito ruins mas de baixa probabilidade.

O que você pode fazer sobre esse problema?

Quais abordagens existem para resolver esse problema?

  • Redução das emissões de gases de efeito estufa. As reduções nas emissões de gases do efeito estufa reduzem desproporcionalmente o risco de aumentos extremos de temperatura em relação aos aumentos médios de temperatura, e assim as abordagens para trabalhar na mudança climática em geral podem ser a maneira mais eficaz de reduzir os riscos extremos da mudança climática. 12 Abordagens para reduzir as emissões incluem:
    • Fazer lobby junto aos governos para introduzir políticas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, por exemplo, através de um imposto sobre carbono ou sistema de cotas;
    • Desenvolver tecnologia de emissões mais baixas (por exemplo, painéis solares mais baratos);
    • Reflorestamento e prevenção do desmatamento (por exemplo, o trabalho da Cool Earth (Terra Fresca)).

O Open Philanthropy Project (Projeto Filantropia Aberta) também identifica as seguintes duas abordagens focadas especificamente em riscos extremos:

  1. Pesquisa em geoengenharia . Geoengenharia refere-se a intervenções em grande escala no sistema climático da Terra com o objetivo de limitar mudanças climáticas. A geoengenharia pode se tornar mais atraente para os governos no futuro, se ocorrerem grandes aumentos de temperatura. Pesquisas que fazemos agora sobre sua viabilidade, prováveis efeitos colaterais, riscos e governança podem ajudar futuros agentes políticos a tomar decisões mais informadas sobre o uso da geoengenharia quando enfrentarem mudanças climáticas extremas. No entanto, o investimento contínuo em pesquisa de geoengenharia também pode causar menos investimentos em outras estratégias de mitigação e adaptação. Veja a página da GiveWell sobre pesquisa em geoengenharia para saber mais.
  2. Mais pesquisas sobre mudanças climáticas extremas. A pesquisa poderia informar melhor os formuladores de políticas sobre a probabilidade dos riscos extremos das mudanças climáticas e estratégias para reduzir esses riscos.

Quais conjuntos de habilidades e recursos são mais necessários?

  • Pesquisadores com experiência em ciência climática ou como coordenar países para reduzir as emissões.
  • Engenheiros que podem desenvolver novas tecnologias limpas e fontes alternativas de energia.
  • Decisores políticos, ativistas e lobistas capazes de influenciar e pressionar no sentido de adoção de políticas para reduzir as emissões de gases do efeito estufa.

Quem já está trabalhando nesse problema?

  • Existem muitas organizações que trabalham com mudanças climáticas em geral. Uma fundação notável que trabalha para incentivar a adoção de políticas de mitigação pelo governo é o ClimateWorks . A Cool Earth foi identificada pela pesquisa da Giving What We Can como uma organização promissora que trabalha na prevenção do desmatamento.
  • A pesquisa sobre mudanças climáticas extremas ocorre principalmente na academia e é financiada por financiadores de ciência básica, como a Fundação Nacional de Ciências no caso dos EUA. O Centre for the Study of Existential Risk (Centro para o Estudo do Risco Existencial) na Universidade de Cambridge e o Global Catastrophic Risk Institute (Instituto de Riscos Catastróficos Globais) estão realizando pesquisas sobre mudanças climáticas extremas e possíveis respostas.
  • A pesquisa em geoengenharia também é feita principalmente na academia. O Programa de Geoengenharia da Universidade de Oxford conduz pesquisas sobre os aspectos sociais, éticos e técnicos da geoengenharia. A The Solar Radiation Management Governance Initiative (Iniciativa de Governança de Gestão de Radiação Solar) trabalha no desenvolvimento de governança segura da forma mais proeminente de geoengenharia.

O que você pode concretamente fazer para ajudar?

  • Faça um doutorado em ciências climáticas e pesquise sobre mudanças climáticas extremas na academia.
  • Faça estudos de pós-graduação em Economia ou Políticas Públicas e pesquise políticas relacionadas a possíveis soluções para mudanças climáticas extremas.
  • Doe ou trabalhe para a Cool Earth .
  • Trabalhe na ClimateWorks ou em outras fundações voltadas para as mudanças climáticas.
  • Busque posições em que você possa advogar em favor de políticas de mitigação da mudança climática, por exemplo, indo para a política nacional , jornalismo ou centros de pesquisa (think-tanks) .
  • Se você é um engenheiro ou cientista, trabalhe em pesquisa e desenvolvimento para gerar tecnologia de baixo impacto climático Veja algumas sugestões de como fazer isso aqui .

Saiba mais

Notas e referências

  1. O risco de mudanças climáticas extremas (> 5ºC) nos próximos 100 anos é de 0,5-10%; o que reduziria o potencial futuro de sustentação da humanidade em cerca de 20%, isto através de, conflito internacional ou colapso social, e uma subsequente deficiência na recuperação. Com um grande esforço esse risco poderia ser reduzido em mais 50%. Essa estimativa é porém altamente incerta.
  2. Global Landscape of Climate Finance 2015 (Panorama Global das Finanças Climáticas 2015) , Climate Policy Initiative.
  3. O Quinto Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) considera um aumento de temperatura média global de 2,6-4,8ºC até 2100 como “provável” sob um cenário de emissões elevadas. Veja a tabela 2.2 https://www.ipcc.ch/pdf/assessment-report/ar5/syr/SYR_AR5_FINAL_full_wcover.pdf 
  4. Para uma visão geral, consulte http://www.givewell.org/shallow/climate-change/impacts. 
  5. “O aumento da temperatura média da superfície global até o final do século 21 (2081-2100) em relação a 1986-2005 será provavelmente de 0,3 ° C a 1,7 ° C sob RCP2.6, de 1,1 ° C a 2,6 ° C no RCP4.5, 1,4 ° C a 3,1 ° C sob RCP6,0 e 2,6 ° C a 4,8 ° C sob RCP8,5 ”“ Os seguintes termos foram usados para indicar a probabilidade de um desfecho ou um resultado: virtualmente certo 99– 100% de probabilidade, muito provavelmente 90–100%, provavelmente 66–100%, aproximadamente tão provável quanto 33–66%, improvável 0–33%, muito improvável 0–10%, excepcionalmente improvável 0–1%. ” Dado que a faixa “provável” é usada para cobrir 66-100% da probabilidade de mudanças de temperatura, podemos esperar que aproximadamente 17% da distribuição de probabilidade fique fora da faixa de 2,6-4,8 ° C. Dado que a distribuição é positivamente assimétrica, esperamos que 10% ou mais caiam em uma mudança maior que 4,8 ° C ”. Fonte
  6. Cerca de US$ 11 milhões são gastos por ano em pesquisas de geoengenharia. “Nossa contagem total de financiamento para esses projetos (para os quais temos informações de financiamento) é de cerca de US $ 11 milhões / ano.” Fonte 
  7. “…Relatórios do governo federal dos EUA parecem indicar que eles gastam cerca de US$ 8 bilhões por ano em esforços de mudança climática, principalmente (~ US$ 6 bilhões/ano) no desenvolvimento de tecnologia para reduzir as emissões. Open Philanthropy Project: Mudanças Climáticas Antropogênicas ↩
  8. “O governo manterá seus esforços em ações urgentes para combater a mudança climática apoiando o crescimento e a adaptação de baixo carbono nos países em desenvolvimento. A soma de dinheiro que o Reino Unido destinará para projetos de mudança climática em países em desenvolvimento será aumentado para £969 milhões, financiados pelo DFID , pelo Departamento de Energia e Mudança Climática (DECC – Department of Energy and Climate Change) e pelo Departamento de Meio Ambiente, Alimentos e Assuntos Rurais (DEFRA – Department for Environment, Food and Rural Affairs). HM Treasury: Spending Round 2013
    Arquivo 
  9. “Com base nesses relatórios e em uma conversa informal, estimamos que os gastos anuais típicos filantrópicos com a mitigação da mudança climática nos EUA provavelmente estão na faixa de algumas centenas de milhões de dólares.” Open Philanthropy Project: Mudanças Climáticas Antropogênicas ↩
  10. “Espera-se que as reduções nas emissões de gases causadores do efeito estufa reduzam desproporcionalmente o risco de aumentos extremos de temperatura e impactos extremos (em relação ao quanto eles impactam as mudanças de temperatura medianas estimadas), assim, intervenções convencionais para reduzir os impactos negativos da mudança climática em geral (discutidas na nossa página sobre mudanças climáticas antropogênicas) pode ser a estratégia mais eficaz para lidar com os riscos extremos ”http://www.givewell.org/shallow/climate-change/extreme-risks 
  11. Fonte 
  12. “Espera-se que as reduções nas emissões de gases de efeito estufa reduzam desproporcionalmente o risco de aumentos de temperatura extremas e impactos extremos (em relação a quanto impactam as mudanças de temperatura estimadas medianas), as intervenções mais comuns para reduzir os impactos negativos das alterações climáticas em geral (discutido na nossa página sobre mudanças climáticas antropogênicas ) podem ser a estratégia mais eficaz para lidar com os riscos extremos ”http://www.givewell.org/shallow/climate-change/extreme-risks 

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