Toda arte é vegana, sabia? – PARTE 2

Semana 9

Não sabia? Então este diário está aqui para provar. Hoje, focaremos em literatura!

Memórias Póstumas de Brás Cubas (Machado de Assis) – o maior clássico da literatura nacional é dedicado aos vermes que comerão o cadáver do protagonista. Uma genial inversão crítica ao nosso vício de comer cadáveres.

A metamorfose (Kafka) – o autor critica nosso trato com animais por meio da empatia, colocando-nos no lugar da vítima já na primeira (e famosa) frase do livro:

“Quando certa manhã, Gregor Samsa acordou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso”.

A partir dali, as violências que sofre da família se multiplicam, culminando em um final trágico envolvendo uma maçã (ressaltando a salvação plant-based), mas não daremos spoiler.

O Asno de Ouro (Apuleio) – escrito no séc. II, é o romance mais antigo em latim que sobreviveu até os dias atuais. Como Kafka, o autor também transforma o protagonista em um animal violentado (um asno, óbvio, releia o título). 

Guerra e Paz (Tolstói) – título autoexplicativo. Guerra: é o que fazemos. Paz: é o que os animais pedem para fazermos.

A Hora da Estrela (Clarice Lispector) – “Porque há o direito ao grito. Então eu grito.” Com esta frase, a autora dá voz ao desespero dos animais nos abatedouros (que não ouvimos, pois nos negamos a ver esses vídeos que os veganos insistem em nos mostrar).

Dom Quixote (Cervantes) – aqui a genialidade do autor pegou todo mundo. Até o momento, pouquíssimos leitores se deram conta que os verdadeiros protagonistas são o cavalo (de Dom Quixote) e o asno (de Sancho Pança). A intenção do autor foi mostrar como nossa suposta intelectualidade nos leva a viver em mundos imaginários em que a dor de outros seres vivos não importa. Tudo  isso enquanto nos cega para o sofrimento dos animais que nos carregam no lombo.

O Pequeno Príncipe (Saint-Exupéry) – alguns dizem que é o livro mais lido da história (só perde talvez para a Bíblia), distopia apocalíptica em que, após a pecuária destruir todo meio ambiente da Terra, um bilionário manda seu filho para morar em um cometa na companhia do único vegetal vivo que sobrou: uma rosa. 

A Pequena Princesa (Leandro Franz) – #publipost da minha tradução atualizada do clássico. A mensagem permanece a mesma, mas com algumas adaptações criativas bem interessantes. Leiam!

A Revolução dos Bichos (Orwell) – tratado como metáfora, na verdade o autor escreveu um romance literal mesmo. Os bichos conversam entre si e organizam uma revolução para acabar com a tortura. As coisas saem errado quando alguns revolucionários passam a imitar o comportamento humano e praticar especismo contra os outros animais, achando-se mais importantes e donos da razão em explorá-los.

Frankenstein (Mary Shelley) – a autora era vegetariana (assim como o marido, família e vários amigos) e criou seu monstro da mesma forma: “Não tenho que matar o cordeiro e a cabra para saciar o meu apetite”. A pergunta que a autora nos coloca é: quem é o verdadeiro monstro?

Razão e Sensibilidade (Jane Austen) – o que falta a nós, carnistas, em relação ao que colocamos no prato.

Orgulho e Preconceito (Jane Austen) – o que nos sobra na conversa com veganos.

Persuasão (Jane Austen, ela não para!) – o que ainda falta ao veganismo. 

Tito Andrônico (Shakespeare) – aqui uma personagem cozinha seres humanos e os serve, em um jantar macabro, aos seus próprios pais. Conhecida como uma das peças mais violentas do autor, na verdade não chega aos pés da violência que os animais sofrem em nossas mãos antes de chegar ao nosso prato. Essa era a crítica do genial dramaturgo, que poucos pegaram.

Por fim, não podíamos deixar de citar o livro mais distribuído da história da literatura… 

A Bíblia (múltiplos autores) – a mensagem é claríssima: enquanto eram veganos, Adão e Eva viviam no Paraíso. Ou você leu sobre algum episódio de churrasco por lá? Pois bem, como a maçã representa a carne, e isso é consenso em todas as vertentes cristãs, deixamos para a leitora a conclusão final: o que acontece após o casal seguir o conselho da cobra?

Leandro Franz é economista, escritor e wannabe vegano. Seus últimos livros são “A Pequena Princesa” (Ed. Letramento), “No Útero de Paulo, o Embrião não Nascerá” (Ed. Penalux) e “Por toda vida, Carolina” (e-book Amazon).

Deixe um comentário

You have to agree to the comment policy.